Muito se fala sobre quadrinhos, mas muito pouco sobre quadrinhos nacionais, então resolvemos ir atras de quadrinistas nacionais para falarem um pouco sobre si e sobre quadrinhos em geral. 

Hoje vamos conversar um pouco com a Fernanda Nia, uma publicitária carioca, criadora da Niazinha, Srta. Garrinhas, entre outros personagens. Vamos lá galera?

Fernanda "Nia" Ferreira, publicitária de 25 anos do Rio de Janeiro. Trabalha atualmente como freelancer nas áreas de comunicação e ilustração, além de ser a autora do Como eu realmente, que em 2014 começou uma série de livros publicados pela Editora Nemo.


Você é Tão Livro: Quando começou seu interesse por quadrinhos?
Fernanda Nia: Desde bem novinha eu assistia a animes na televisão. Logo fiquei curiosa quando começaram a lançar alguns títulos de mangás pelas bancas de jornal. Me lembro como se fosse ontem, eu comprando meu primeiro DragonBall volume 6, há uns 15 anos atrás, hahahahah. Fora os quadrinhos da Magali que eu sempre lia.

VÉTL: Com que idade decidiu que essa seria sua profissão?
FN: Eu sou publicitária, e criei o Como eu realmente no último ano da faculdade. Ele começou mais como hobbie, eu diria, e a transição para profissionalização foi gradual, conforme ia dando retorno e crescendo.

VÉTL: Como você vê o mercado de quadrinhos nacionais?
FN: Em crescimento atualmente, tanto em quantidade de autores como em qualidade. Cada ano que passa, os eventos ficam maiores, e o número de lançamentos aumenta exponencialmente. É maravilhoso.

VÉTL: Como surgiu a ideia do "Como eu realmente..."?
FN: Surgiu a partir da minha necessidade de compartilhar minhas piadinhas e ideias sobre o cotidiano. Um pelo dia, decidi criar um blog para fazer tirinhas assim. Como seria algo bem pessoal, o Como eu realmente acabou se moldando ao espelho da minha própria vida.

VÉTL: Qual seu personagem favorito dos quadrinhos?
FN: Difícil escolher um só! Até porque os personagens são muito diferentes, e o nosso gosto é variante de acordo com o que lemos no momento. Mas vamos, por relevância histórica, que eu sempre tive um carinho especial pela Sailor Moon.

VÉTL: Por ser mulher, foi mais difícil ingressar nesse meio?
FN: Ingressar não, porque comecei com um blog na internet, onde eu podia já ir de encontro ao meu público sem precisar da aprovação do mercado. Hoje o mercado está bem mais aberto à mulheres, mas ainda sofremos preconceito de vez em quando sim, com subvalorização do nosso trabalho, etiquetação de "é só para mulheres" e marginalização para além dos "quadrinhos de verdade".

VÉTL: O que você tem a dizer a quem pretende seguir essa carreira?
FN: Não se deixar levar pela preguiça e começar a produzir e publicar seu material logo. A internet é uma ótima ferramenta. E lembrar que sucesso se consegue depois de muito esforço e dedicação.

VÉTL:  Uma tirinha inesquecível pra você.
FN: A Depois do "The End", que foi a tirinha que mais viralizou e rodou o mundo na época. (http://www.comoeurealmente.com/2012/03/depois-do-fim.html)

VÉTL: Tem alguma história engraçada sobre esses anos trabalhando com quadrinhos?
FN: Várias! Sempre acontece alguma coisa divertida, e os leitores são bem zoeiros também, hahahahah. Tem uma página especial só contando algumas dessas histórias no final do livro 2 do Como eu realmente, inclusive. Tipo aquele leitor que achava que era vampiro de verdade. Ou a pesquisa de público em que alguns leitores inventaram uma grande guerra entre bolinhos de chocolate e de frutas.

VÉTL:  Seus quadrinhos sempre trazem uma mensagem interessante, alguma coisa para fazer os leitores refletirem. Essa sempre foi sua intenção?
FN: Não pensava nisso no início (eu não pensava em muita coisa quando criei o CER, hahahahah), mas eu mesma cresci como pessoa nos últimos anos e minha produção no site reflete isso. Hoje, sinto que é essencial trazer algumas discussões e reflexões aos leitores.

Foi um prazer estar aqui com vocês! Até a próxima. :D

Site: http://www.fernandania.com/


Entrevista feita pela colunista Cláudia Tressoldi especialmente para o VETL.




Um Comentário

  1. Oi, Cláudia! Opa, foi um prazer conversar com vocês aqui. Adorei como ficou a entrevista! Beijos e obrigada pelo carinho! <3

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