Recentemente foram lançados a sinopse e a pré-venda do livro de estreia do Youtuber Bruno Miranda. O livro conta a história de Ian e Emília, que mal se conhecem, mas topam embarcar numa grande aventura que é participar de um reality show para casais adolescentes que estão esperando bebês. O problema é que eles não são um casal e nem estão esperando por um bebê. Confira o primeiro capítulo: 


Além de Ian, havia sete pessoas na sala de espera do consultório médico. Três delas visivelmente grávidas, uma possivelmente e mais três com certeza não grávidas. Deste último grupo, dois eram maridos que batiam papo na entrada do lugar, enquanto suas mulheres liam revistas acomodadas no sofá. O outro conversava com a mulher, que estava com a barriga tão protuberante que, se estivesse gripada, o bebê já teria sido colocado para fora com um espirro.
A sétima pessoa, que poderia ou não estar grávida, era, digamos, muito esguia, Ian pensou. Ela estava em pé e se revezava entre fazer perguntas para a recepcionista, que parecia não ajudar muito, e falar agitada ao telefone.
Ian estava com um celular sem bateria e nenhum conhecido por perto enquanto aguardava na sala de espera. Ele até contaria o número de valinhos no teto do consultório, se este não tivesse uma camada grossa de gesso, o que fez com que sua única saída fosse tentar ouvir as conversas enquanto fingia estar ocupado verificando a higiene das unhas.
O rapaz levantou os olhos por alguns segundos e deu de cara com a mulher que falava ao telefone olhando em sua direção. Ela parecia assustadoramente animada.
A mulher desligou o telefone e sentou-se ao lado dele. Ian não sabia ao certo se ela iria falar com ele, mas ficou um pouco nervoso. Ela estava sorrindo.
– Prazer, meu nome é Catarina. Tudo bem? – Ela estendeu a mão.
Catarina usava um blazer e, mesmo sorrindo, parecia tão séria e importante que, enquanto a cumprimentava, Ian se sentiu segurando as mãos firmes da prefeita da cidade. E de fato ela deveria ser importante, porque era uma manhã de outono bem quente para alguém pensar em usar mais uma camada de roupa.
– Ian… – Apresentou-se. – Comigo tá tudo bem.
– Que demais! Eu amo nomes curtos. Não tenho filhos, mas minha cachorrinha se chama Ivy – ela disse, empolgada, forçando uma identificação tão convincente quanto “você gosta de comida? Meu Deus, eu amo comida!”. Ian respondeu com um sorriso e ela continuou: – Desculpa, eu não estou comparando o seu nome com o de um cachorro, mas... bem, você entendeu, né?
Ela riu, simpática.
– Não, não se preocupe! É que… – Ian não fazia ideia do que dizer, dado o rumo que a conversa tinha tomado. – Tudo bem.
– Enfim – ela se ajeitou na cadeira, trazendo a pasta de documentos que estava sobre seu colo para mais perto de si. – Vamos ao que interessa. Você estuda? Trabalha?
Naquele momento ele teve certeza de que ela não o estava paquerando. No auge de seus trinta e poucos, talvez fosse velha demais para dar em cima de um rapaz de dezesseis.
O que o levou à segunda opção: curso profissionalizante. Ele sabia por que aquilo já havia acontecido antes: alguém chega com um sorriso no rosto e uma simpatia duvidosa. Quando você vê, estudou dois anos de gestão empresarial a partir dos catorze anos e, agora, passados alguns meses da conclusão do curso, se sente tão preparado para gerenciar uma empresa quanto uma lhama.
– Eu estudo – respondeu. – E tenho um trabalho de meio período como instrutor particular de tênis. Minha irmã trabalha com organização de festas e às vezes eu a ajudo também.
– Quanta responsabilidade! Ainda mais essa, né? – Ela apontou a porta da sala do médico. – Eu acredito que neste momento o que você mais precisa é de grana, certo? Criar uma criança demanda um grande investimento.
O rapaz sentia lá no fundo que acabara de ser chamado de pobre, mas não tinha certeza. O casal que estava sentado ao lado de Ian parou de conversar e agora parecia prestar atenção na conversa, enquanto as outras duas mulheres permaneciam entretidas com suas revistas.
– Na verdade quem realmente vai investir na criança é a minha irmã. Ela está se formando agora e tal, daí vai conseguir mais tempo pra se dedicar, montar uma empresa de verdade.
– Por que a sua irmã? Os seus pais não vão ajudar com o bebê, é isso?
– É que nós moramos juntos, minha irmã e eu. Não moramos com nossos pais – respondeu, sério. Ele não gostaria de ter que explicar toda a história para uma desconhecida.
– Ah, claro – Catarina pareceu achar a informação interessante. – Mas você não se sente meio mal com isso? Ela pagando tudo? Eu acredito que você queira o melhor para a criança. – Ian olhou para o lado e viu que o casal parecia tão concentrado que aceitaria o curso em seu lugar antes mesmo de ele ser oferecido.
– É claro que quero o melhor pra ela. Na verdade, eu não tinha parado para pensar nisso, talvez possa ajudá-la mais com os eventos, não sei – Ian parou de falar quando percebeu que estava se justificando demais para alguém que nem sabia quem era.
A equipe que sua irmã costumava contratar realmente era limitada, variando conforme o orçamento previsto para o evento. O que ela mais fazia era festa de criança e debutante e, de vez em quando, casamento. Em geral, grandes empresas eram chamadas para cuidar de eventos maiores, como formaturas em universidades e jantares corporativos.
Catarina parecia realmente disposta a fazer com que Ian se responsabilizasse pelo futuro bebê da irmã, que estava na sala ao lado, em sua primeira
A mulher começou a ressaltar as dificuldades financeiras de criar uma criança e como nos primeiros meses bebês consumiam fraldas como verdadeiras máquinas de fezes. Ian olhou para as próprias roupas, tentando encont
 consulta pré-natal com o obstetra.rar os buracos que a teriam levado a pensar que ele estava tão necessitado. Porque, mesmo não estando, agora ele já havia se convencido de que precisava de mais dinheiro.
Ian parou de prestar atenção quando, ao desviar os olhos para a pasta transparente que ela segurava no colo, viu lá dentro um crachá:
Catarina Raizer
Produtora
REDE BPS

Não era sempre que Ian entrava em conversas importantes com desconhecidos sobre o futuro de seu sobrinho do tamanho de uma semente de gergelim. Mas saber que ela trabalhava na maior rede de tevê do país o deixou curioso.
Continue a ler o primeiro capítulo clicando aqui!

O livro já esta entre os mais procurados no Skoob e na Saraiva, e será lançado oficialmente na Bienal do Livro de Belo Horizonte (MG). Confira o link da pré-venda na Saraiva aqui e os canais do Bruno no YouTube aqui: Minha Estante e Bubarim, e conheça mais sobre o autor.

Por Ester Meireles


2 Comentários

  1. A premissa está muito interessante e o primeiro cap e parece que vai ser super divertido também. Eu sou fã do minha estante então já viu né kkk


    ❥Blog:Gordices Literárias

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