Quando um misterioso pacote é entregue a Robin Ellacott, ela fica horrorizada ao descobrir que contém a perna decepada de uma mulher. Seu chefe, o detetive particular Cormoran Strike, fica menos surpreso, mas não menos alarmado. Há quatro pessoas de seu passado que ele acredita que poderiam ser responsáveis por tal crime e Strike sabe que qualquer uma delas seria capaz de tamanha brutalidade. Com a polícia focada no suspeito que Strike tem cada vez mais certeza de que não é o criminoso, ele e Robin põem as mãos à obra e mergulham no mundo sombrio e distorcido dos outros três homens. Entretanto, quanto mais acontecimentos horrendos acontecem, mais o tempo se esgota para ambos. 


Por onde posso começar? O livro me deixou bem aturdido e nem foi só pelo caso em si. A trama de cada personagem não é para encher linguiça. Você fica ansioso por saber quais os desdobramentos de suas vidas. Você torce, xinga, se emociona, ri ...Mas vamos por partes:

Strike
Strike está em um relacionamento com Ellin, uma mulher que está se separando. O relacionamento deles não é o que se pode chamar de público. Se encontram em noites específicas , em locais específicos. Como sempre ,Strike não fala de seu trabalho com ela , e nem fala muito dela para os outros.

Nesse livro vemos um Strike mais obstinado.  Por conta do estrago que receber uma perna decepada lhe causa no escritório e por todo tom pessoal que o caso tem, ele acaba sendo menos parcial em seus julgamentos e avaliações do caso. Vocês vão perceber que ele quer que seja esse ou aquele suspeito. Também temos vislumbres de sua adolescência, um pouco do seu padrasto, do local que viveu. Ele se torna mais real pra gente. Quando seus pensamentos vão em Robin e na maneira como eles tem se relacionado, você lembra que ele não é tão velho assim. Esse é o Strike menos mítico e mais humano até agora. Com mais sentimentos.

Robin
Robin está perfeita nesse livro. Descobrimos o motivo dela ter saído da faculdade. Sua vida pessoal passa por reviravoltas e sua vida profissional, nem se fala. Ela agora divide os casos de vigilância com Strike, além e suas usuais atribuições. Vemos também uma  Robin muito mais emocional. O livro não tem a proposta de ser feminista, mas vemos em Robin uma mulher de verdade, mesmo quando está em apuros ela não é o que se pode chamar de “donzela em perigo”. Nesse livro ela também é mais participativa. Tem ideias, resolve problemas, faz suas próprias investigações...

Mathew
Nem sei o porquê  de ter escolhido para falar dele. Continua reclamando do trabalho de Robin e sua relação com o chefe. Vamos entender melhor o motivo.

 Quando lemos romances policiais, normalmente temos suspeitos que poderiam ter matado facilmente, pois são pessoas ruins e também pessoas em que é difícil acreditar que tenham cometido algo de errado. Já em Vocação para o Mal, todos os suspeitos são a escória. Chega um momento em que eu estava torcendo para que os suspeitos estivessem de conluio, só para todos irem presos. Mas acho que isso que deixa a gente perdido. Fica difícil cravar de cara um suspeito. Eu fiquei pulando de suspeito em suspeito., apesar de que me orgulho em dizer que acertei o assassino. Só não pude provar.

 Os capítulos com o ponto de vista do Assassino são de tirar o chapéu. Lembrou-me muito o Livro Eu Mato do Girgio Faletti (minha próxima resenha).

 Cada capítulo vem com um trecho de uma música do Blue Oyster Cult. Confesso que procurei a banda no Spotify e não foi amor à primeira vista. Espero dar mais uma chance à banda.

O livro em si está impecável e o final me fez ficar procurando por qualquer notícia do próximo. Na parte física... que coisa linda. Comprei em capa dura. Mais uma vez congratulo a Editora Rocco pelo excelente trabalho.




Título: Vocação Para o Mal


Autor: Robert Galbraith (Pseudônimo de J.K.Rowling)

Número de páginas: 496

Editora: Rocco

Ano da publicação:2016 (BR)

Por Paulo Carvalho 

@procarvalho7


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