A coluna sobre escritores que todos amamos está de volta (uhuu!), e não podemos deixar de fora, uma das escritoras mais novas a vender milhões pelo mundo: Veronica Roth.

  Americana de 25 anos, Veronica nasceu em 19 de agosto de 1988, em Chicago (EUA). Formada em Escrita Criativa pela Northwestern University, afirma que escrever sempre foi uma opção. Uma vez, ao ir para a universidade, Veronica viu uma pessoa prestes a pular de um prédio, o que lhe deu a ideia para a facção Audácia. A partir disso, começou a trabalhar fundo em sua história, preferindo ficar em casa e escrever á ir em festas, estudar ou fazer trabalhos acadêmicos. 

 Com apenas 23 anos, em 2011, Veronica lançou o primeiro volume da trilogia Divergente, alcançando um ótimo número de leitores pelo mundo todo. Em maio de 2012, publicou Insurgente. A continuação do best-seller que todos esperavam veio a ser lançada em outubro de 2013, com o título de 'Convergente'. 
 A ultima obra escrita pela autora (até agora) é um livro de contos, narrados pelo personagem Quatro.

 Atualmente, a jovem escritora é uma das mais vendidas em todo o mundo!

Curiosidades:
  • Roth se casou em 2011 com Nelson, seu atual marido.
  • Enquanto seus amigos estudavam ou iam em festas, ela estava escrevendo Divergente.
  • No dia 22/10/2013 o terceiro livro, “Allegiant”, foi lançado, ficando em primeiro lugar na Amazon nos mais vendidos.
  • Em uma palestra na Book Expo America 2013, Veronica conta sobre sua paixão por literatura (aqui).
  • Roth fez várias visitas ao set de filmagens da adaptação cinematográfica de “Divergente”, e disse estar muito contente com o que a adaptação cinematográfica se tornou.

Entrevista com Veronica Roth:

 Veronica concedeu uma entrevista ao jornal O Globo. Confira-a aqui:

Você já tinha o desfecho do terceiro livro programado desde o início? Sabia como iria terminar a história de Tris?

Eu escrevi um esboço para o segundo e o terceiro livros assim que terminei a primeira versão de “Divergente”, mas me desviei um pouco do plano inicial. A única coisa que se manteve a mesma desde o início foi o final do terceiro livro. Eu sabia exatamente o que aconteceria com Tris, mas ainda estava um pouco incerta de como ela chegaria lá.

E você se lembra exatamente do dia em que teve a ideia para “Divergente”? Como o livro nasceu na sua mente?

Não acho que as ideias apareçam para as pessoas de uma só vez. Para mim, “Divergente” veio em partes. Eu puxei um pouco pelo que estava aprendendo no curso de Psicologia, sobre terapia de exposição, que é um método de tratar ansiedades e fobias em que a pessoa é repetidamente exposta a tudo o que lhe provoca medo, mas dentro de um ambiente seguro, até que seu cérebro se acostume com aquilo. É um conceito que se aplica nas simulações de medo que estão no livro. Mas houve outras inspirações. Eu me lembro de ouvir uma música e imaginar alguém pulando de um prédio para provar sua coragem, e também me recordo de visualizar a cena de alguém colocando seu sangue numa tigela. Enfim, não sei exatamente de onde essas ideias vieram. Acho que você deve deixar sua mente aberta para que as coisas aconteçam.

Se olharmos para os últimos 15 anos da literatura infantojuvenil, primeiro veio a mágica de “Harry Potter”, depois os vampiros de “Crepúsculo”, e agora as atenções estão voltadas para os futuros distópicos de “Jogos vorazes” e “Divergente”. A que se deve o recente sucesso da distopia entre os jovens leitores?

Eu não tenho a menor ideia da razão de algumas coisas se tornarem populares. E não acho que essa mudança de interesse necessariamente diz alguma coisa específica sobre nossos jovens. Talvez eles estejam mais interessados em personagens poderosos que lutam contra sistemas opressores, o que me parece ser o elemento que os mais recentes romances distópicos juvenis têm em comum. As histórias distópicas podem ser mais sombrias, mas elas também mostram às pessoas a possibilidade de encontrar força na adversidade. São livros que reconhecem as dificuldades do mundo, mas que também sugerem caminhos para seguir adiante.

Sua trilogia é usualmente comparada com “Jogos vorazes”. Porém, histórias passadas em mundos distópicos são populares desde obras importantes do século XX, como “Admirável mundo novo”, de Aldous Huxley, “1984”, de George Orwell, ou “O senhor das moscas”, de William Golding. Essas obras foram importantes para você? Nos seus livros, você procurou usar a literatura para criar alegorias políticas, como Huxley, Orwell e Golding fizeram?

Na definição clássica, é exatamente isto o que os livros distópicos fazem: eles oferecem, através de exageros, algum tipo de análise política ou social. É o que dá a esses livros um valor especial. Mas “Divergente” não é assim. Não acho que alguém acredite que nossa sociedade esteja à beira de ser dividida em facções baseadas em virtudes. Mas, para mim, as facções foram uma maneira de explorar a natureza humana, como as pessoas atuam em grupos, como esses grupos lidam com seus pares, e o que acontece quando perseguimos uma coisa que é excludente a outra. Só que eu só quis contar uma história interessante e provocar alguns questionamentos, não quis passar uma mensagem específica. A não ser, talvez, sobre nossa tendência nociva de ficar categorizando as pessoas.

Como você avalia o fato de best-sellers juvenis recentes terem protagonistas femininas fortes? Além da série “Divergente”, houve “Jogos vorazes” e “Crepúsculo”. É um sinal de um novo feminismo na literatura ou apenas uma demanda de mercado?

Certamente é um sinal de progresso. Quando eu era nova, a maioria das histórias que eu lia eram protagonizadas por homens jovens. Era como se estivéssemos ensinando as mulheres a se identificarem com personagens masculinos, mas sem nunca ensinar os homens a se identificar com as personagens femininas. Espero que isso esteja mudando, e que os leitores de obras juvenis, em sua maioria garotas, estejam exigindo histórias sobre mulheres. E sabe o que é mais encorajador? Os garotos também estão lendo esses livros e aprendendo a ter empatia com personagens diferentes deles.

Por causa da idade de seus leitores, você tem algum cuidado em abordar algum 
tema? A série “Divergente” tem um tom mais sombrio, mas você já evitou alguma situação específica por achar que ela não seria apropriada para o leitor?
Não. Acredito que meus leitores podem lidar com muitos assuntos. Quanto mais eu interajo com eles, mais fico convencida disso. Os jovens são diferentes entre si, há níveis distintos de sensibilidade. Então não tenho como generalizar sobre meu leitor, apenas procuro escrever o que considero ser o mais sincero e verdadeiro. Há muitos livros no mercado para jovens adultos, alguns mais e outros menos sombrios. Há histórias para todos os tipos de leitores, você só precisa procurar por elas.

Você já deve ter assistido ao filme “Divergente”, certo? O que você tem a dizer sobre ele?

Até agora, eu já vi o filme quatro vezes. E eu amei. Ele é visualmente lindo, a distopia de Chicago está fantástica. O elenco fez um trabalho incrível, e foi surreal e maravilhoso assistir à minha história se tornar real nas telas do cinema.


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Fontes consultadas: Divergente Brasil | Créditos da entrevista: Jornal O Globo
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