Consertar é melhor do que jogar fora


Te observo dormindo. Parece com um anjo. 


 Lembro que sempre gostei de te observar assim e lembrar da música I don’t wanna miss a thing, do Aerosmith. Porque eu realmente preferia não fechar meus olhos pra não perder um só movimento seu, uma respiração sua que fosse. 


 Lembro de como a vida real se assemelhava a um conto de fadas, em que eu não precisava dormir para tocar as estrelas. Era tudo real. Você estava ali. Nós estávamos juntos. E tudo era perfeito.

 Lembro dos risos incontroláveis, dos vídeos sem pé nem cabeça, das conversas até amanhecer, das fotos a todo momento, dos planos para o futuro e de como nada além da nossa união importava. 

 Lembro da escolha do nome do nosso filho, quando ele ainda era um sonho distante que só aconteceria dali a 5, 10 ou 7 anos, para entrar em um consenso.

 Lembro de quando tudo começou a desmoronar.

Lembro das rachaduras imperceptíveis em nosso relacionamento que acabaram por romper completamente com a nossa ligação.

 Lembro do estresse que nos deixava cegos para as pequenas (mas importantes!) coisas do dia-a-dia. E das brigas incessantes. E dos choros intermináveis. E da vontade, do desespero, das tentativas de jogar tudo pro ar. De desistir.

 Lembro do quanto eu tentei me afastar, do quanto eu tentei tirar esse sentimento de mim, do quanto eu implorei aos céus para que esse sentimento sumisse de uma vez por todas. Tudo em vão. Era só fechar os olhos pra te sentir ali comigo. E, ao abri-los e não te ver, a agonia tomava conta do meu ser e as lágrimas, do meu rosto.

 Lembro de quando eu cheguei à conclusão que os meus esforços seriam em vão, que nós não tínhamos nascido para ficarmos longe um do outro. “Costumávamos ser um só”, uma vez você me disse. E com nossa separação, uma parte de mim deixou de existir. Então decidi recuperar, um pouco que fosse, daquela nossa inocência, alegria e vínculo inicial. 

 Lembro da descoberta da futura chegada do nosso filho. NOSSO filho. Nosso sonhado filho, que veio alguns anos antes do planejado. Você, mais do que ninguém, sabe o quanto eu acredito que nada é por acaso.

 E desde então, eu me pego te observando dormir. E desde então, eu volto a planejar um futuro para nós dois. Três. E desde então, apesar e além de tudo e de todos, eu sempre me pego pensando:


É melhor consertar do que jogar fora.


E se você quiser ouvir:




por: Kemilly Oliveira


2 Comentários

  1. Lindo texto :')
    Me identifiquei muito, porque sempre acredito que é possível consertar, insistir, resolver!

    Um beijo!
    Resenha da semana:
    http://www.oclubedameianoite.com/2015/12/resenha-cuco-julia-crouch.html

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