Terroristas atearam fogo em pelo menos 8 mil textos científicos e culturais e depois destruíram a Biblioteca Pública de Mossul com explosivos!


(FOTO: LEARNINGLARK/FLICKR/CREATIVE COMMONS)


 Desde junho do ano passado, o Estado Islâmico mantém o controle de Mossul, maior cidade ao norte do Iraque. Mas foi só a partir deste mês que o grupo voltou sua atenção à importante biblioteca pública local. Criada em 1921, virou um símbolo do estado iraquiano moderno, e agora acaba de ser completamente destruída pelos terroristas, como relata o jornal britânico The Independent.

 Estimativas iniciais sugerem que 8000 livros tenham sido queimados, porém um funcionário do lugar acredita que o número pode ser absurdamente maior – ele afirmou à imprensa que, ao todo, a quantidade de textos perdidos pode chegar a 112.709, alguns deles incluídos na lista de raridades da UNESCO.

 “As pessoas tentaram impedir os elementos do grupo terrorista de queimar a biblioteca, mas falharam”, disse uma fonte local ao IraqiNews.com. Outros relatos reportam que militantes do EI montaram uma enorme pira com documentos científicos e culturais, enquanto estudantes universitários assistiam a cena horrorizados. O diretor da instituição Ghanim al-Ta’an disse que os terroristas demoliram o prédio usando explosivos. O site oficial da biblioteca foi tirado do ar.

 Entre o patrimônio perdido, acredita-se que esteja uma coleção de jornais iraquianos do início do século XX, além de mapas, livros e outras coleções do período otomano. Manuscritos do século XVIII, obras em siríaco do século XIX e relíquias como um astrolábio e uma ampulheta usados por árabes antigos também foram perdidas.

Hoje eu choro por nossa situação”, disse o ativista Rayan al-Hadidi, residente de Mossul, ao The Fiscal Times. Al-Hadidi descreveu que o clima na cidade está tomado por raiva e sofrimento. O grupo terrorista também promoveu ataques contra uma biblioteca sunita e duas católicas em Mossul.

 Fontes locais afirmam ter avistado caminhões com placas da Síria carregados com livros e documentos, o que indica que nem todas as obras foram destruídas – algumas estão nas mãos do EI, que poderá cobrar resgates para devolvê-las.


Por Flávia Bergamin


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