•   E se vocês acham que já viram de tudo, podem parar por aí. Livros colocados em geladeiras para incentivar a leitura? Incrível!

  •  "Doe livro. Leia e devolva". Essa é a frase que estampa a ideia criada pelo educador popular Lucas Rafael, morador do Guará há 16 anos.
 Dentro da "geladeira", são diversos exemplares dos mais variados temas. Quadrinhos, romances, língua estrangeira, crônicas, revistas e até apostilas para concurseiros. 
"Me inspirei no açougue T-Bone que disponibiliza livros nas paradas de ônibus há alguns anos. Porém, quando chove ou venta demais, as obras ficam danificadas. Como já usava a geladeira em casa para guardar documentos, coloquei alguns exemplares e disponibilizei para a população na QE17. Fiquei surpreendido com o resultado. As pessoas estão sempre doando e as obras não ficam danificadas".

 Renê Elvis, 26, usuário do projeto, aprovou a iniciativa. Segundo ele, faltam projetos que ajudem a despertar o interesse pela educação. "Nunca imaginava que ali [geladeira] era praticamente uma biblioteca. Pensei que ela estava para doação ou outra coisa. O mais interessante é que os livros estão em bom estado e você pode levar para casa, devolver e até doar alguns. Isso mexe com a imaginação, principalmente das crianças".
Jéssica Nascimento/UOL
Nícolas Heero, de 3 anos, lê livro da geladeira com seu pai Renê Elvis.
 O projeto de Lucas vem se estendendo com o tempo. Além do refrigerador na QE 17, há outra na QE 32. A iniciativa tem colaboração de um grupo de grafiteiros que utilizam a arte como forma de chamar a atenção dos moradores. "Sem as cores, as pessoas iriam achar que a geladeira está abandonada. Queremos despertar o prazer da leitura nas pessoas e mesmo sem ajuda do governo, vamos conseguir", diz. A iniciativa também expandiu para a região de Samambaia que já conta com dois refrigeradores.
 O educador acredita que apenas a educação consegue mover sonhos e esperança. Um exemplo disso é o livro que ele está lendo no momento e que foi pego na própria geladeira. "A obra conta a história de uma catadora de lixo que só tinha estudado até a 2ª série e, com a leitura, escreveu um diário e conseguiu publicá-lo em mais de 13 línguas. É inspirador',diz.

Falta apoio

 Todo o material necessário para a criação e manutenção do projeto sai do bolso de Lucas. Ele tenta no momento uma parceria com Secretaria de Cultura para disponibilizar livros de artistas locais. "A população nos ajuda bastante com doações. Mas queremos levar a geladeira para cada Praça do Distrito Federal. O que desejamos é refrescar ideias e ventilar novas construções de mundo e de personalidade."
 O taxista Francisco Lima, 59, sonha com uma geladeira perto de casa. Como não mora no Guará, ele não consegue ter acesso ao acervo diariamente. "Adoro ler crônicas e as obras que estão disponíveis são maravilhosas e de graça. Adoraria ter essa biblioteca próxima a mim. Como ainda não é possível, ajudo como posso. Sempre que consigo dar um pulo aqui [Guará] coloco alguns livros que guardava em casa."
  Por mais iniciativas como essa no mundo!


Um Comentário

  1. Amei a ideia, deveria ter em todas cidades! Sem contar que incentiva a leitura, muito boa essa geladeira.
    Bjuus,
    http://orocardovento.blogspot.com.br/

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