Para alguém como eu, escrever um diário traz uma sensação muito estranha. Não só porque nunca escrevi, mas suponho que no futuro nem eu nem ninguém se interesse pelos desabafos de uma menina de 13 anos. – Anne Frank


 Quando registrou essas linhas em seu diário, Anne Frank certamente ainda acreditava que teria um futuro e não imaginava o quanto os seus desabafos atrairiam o interesse de milhões de pessoas diferentes ao redor do mundo. Setenta anos após o fim da Segunda Guerra Mundial e a morte da jovem no campo de concentração de Bergen-Belsen, a Rocco traz para o leitor brasileiro O mundo de Anne Frank – Lá fora a guerra, de Janny van der Molen, um mergulho profundo na história da menina que se mantém até hoje como símbolo do horror do regime nazista e referência histórica para as novas gerações. 

Para escrever o livro, que tem a chancela da Fundação Anne Frank, a autora visitou a casa da família Frank na Alemanha e o esconderijo usado entre 1942 e 1944 em Amsterdã, conhecido como Anexo Secreto e hoje transformado em museu; visitou os campos de concentração de Westerbork, Auschwitz e Bergen-Belsen; realizou entrevistas e uma ampla pesquisa recorrendo a fontes diversas, como o famoso diário escrito pela jovem em que ela relata a vida no Anexo Secreto, documentos históricos e fotografias.





 O resultado é uma obra rica e profundamente tocante que contextualiza a história de Anne Frank para as novas gerações com uma narrativa delicada e enriquecida com belas ilustrações de Martijn van der Linden. Preocupada em aproximar o leitor de sua personagem, van der Molen recria o universo da jovem Anne desde o seu nascimento, em 12 de junho de 1929, até a sua morte, em 12 de março de 1945, e divide essa trajetória em 10 temas centrais: Brincadeira, Família, Guerra, Normas, Medo, Diário, Sobrevivência, Paixão, Traição e Horror. 

 Em cada um desses capítulos, a personalidade encantadora de Annelies Marie Frank, seus sonhos, interesses e sentimentos vão se desenhando à vista do leitor, que divide com ela as pequenas alegrias e as grandes angústias de uma (curta) vida que, na medida do possível, foi vivida com paixão e curiosidade. Uma história real e trágica (re)contada com sensibilidade e de forma acessível para leitores de todas as idades. Ao final, uma coleção de fotografias do acervo da família Frank complementa a obra, que vem lembrar às novas gerações que o horror não deve ser esquecido, para não correr o risco de se repetir.

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Por Flávia Bergamin


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