Andando pela livraria, você já deve ter visto o livro 'Eu sou Malala'lançado em 2013. Malala Yousafzai ganhou o Prêmio Nobel da Paz 2014, anunciado nessa sexta-feira (10) pelo Comitê Nobel. Malala, de apenas 17 anos, divide o prêmio com o indiano Kailash Satyarthi “pela sua luta contra a repressão de crianças e jovens e pelo direito de todas de todas as crianças à educação”. A paquistanesa tornou-se conhecida após ser perseguida pelo grupo Talibã paquistanês por defender o direito das mulheres à educação. 

 Flávio Moura, editor da Companhia das Letras, escreveu sobre Malala Yousafzai. Confira: 

 No início deste ano, a Companhia das Letras tentou convidar Malala para vir ao Brasil. A resposta veio polida, mas enfática: ela não tinha tempo, precisava estudar para o vestibular.

Dá pra imaginar quantas vezes ela terá de dizer o mesmo agora que se tornou a mais jovem da história a vencer o Prêmio Nobel da Paz.

Sua autobiografia, Eu sou Malala, saiu no ano passado. Fez um sucesso estrondoso — mais de cem mil exemplares no Brasil. No mundo todo, já está perto da casa dos dois milhões.

Não é pra menos. A história que ela conta ali foge a qualquer padrão. Há exatos dois anos — em 9 de outubro de 2012 — ela foi atingida na cabeça por um tiro à queima-roupa. Estava dentro do ônibus, voltando da escola onde estudava.

Pouco tempo antes, em 2006, milícias extremistas do Talibã assumiram o controle do Vale do Swat, região do Paquistão onde ela morava. Entre as primeiras providências que tomaram estava a destruição de escolas que admitiam mulheres.

O pai de Malala era dono de uma dessas escolas. Criada desde pequena em meio a livros, a menina lançou um blog em que defendia seu direito à educação. Ficou marcada — e o tiro que recebeu veio por causa disso.

Às pressas, foi levada à Inglaterra para se tratar. Contra todos os prognósticos, ela se recuperou. Não pode mais voltar a seu país, onde está jurada de morte, mas seu exemplo repercutiu pelo mundo. O prêmio Nobel é o exemplo maior disso.

Com apenas dezesseis anos, ela se tornou símbolo de muita coisa: da opressão sobre as mulheres em regimes obscurantistas; da luta pela educação em países carentes; da capacidade transformadora de uma experiência singular.

Enquanto o Estado Islâmico põe em curso um projeto expansionista assustador a partir da Síria, decapitando civis ocidentais e escravizando mulheres não muçulmanas, o prêmio a Malala é um sinal poderoso que o mundo democrático envia às facções obscurantistas de Alá.
Mas convém não jogar tanto peso nas costas da menina. Afinal de contas, ela precisa estudar.




 A Editora Seguinte lançará a versão juvenil de Eu sou Malala em fevereiro de 2015, e a Companhia das Letrinhas publicará Malala, a menina que queria ir para a escola, escrito pela jornalista Adriana Carranca.






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